Descemos a vertente da Chapada dos Guimarães cheios de amigos e maravilhas no coração pra encontrar o Pantanal. Fomos pra Pousada Rio Claro, no meio da Transpantaneira, estrada cortando as águas que leva ao coração do complexo. E a viagem foi longa, longuíssima! A cada minuto parávamos pra fotografar a imensidão de pássaros e outros tantos bichos que víamos. Pra onde se olhar, uma surpresa, pra onde se ouvir, uma maravilha. Estrada bordada, rendada e salpicada de vida.
Maguari
Cambará
Achei que não chegaríamos nunca, mas chegamos.
A Pousada é um aconchego e simpatia. Fomos recebidas muito bem e com cordialidade.
Fizemos vários passeios de barco, andamos a cavalo, pescamos piranhas no rio, demos comida pro jacaré, vimos muitos por de sois e uma alvorada. Fizemos safári fotográfico e fomos abençoadas com todas as sortes que se pode ter no pantanal.
Senhor Gonçalo típico, nascido e criado nas veias pantaneiras, jeito de falar cantado e arrastado que conhece todos os segredos, e línguas dos bichos, foi nosso guia todos os dias.
_” Aqui a gente tem uma lei: quem começa com um grupo vai todos os dias com ele.”
“_ Seu Gonçalo, mais aqui tem tanta piranha que se a gente quiser pega até na mão!"
" _Pois num é?!”
Aves, macacos, capivaras que conviviam conosco lado a lado. Imagine de você a um passo de um gavião?! Muito Pantanal isso.
E tem muito, mas muito alemão. Estes gostam mesmo do Pantanal.
Esta arara ficou aqui depois da novela Pantanal e das tantas sortes que tivemos uma foi esta, dela aparecer na pousada para uma sessão de fotos. Para delírio dos alemães. Ah, e tinha um tucano, daquele que tem o bico grande que apareceu. Vi mas nem deu pra fotografar, foi pras matas.
Estávamos pegando o almoço, alias que comida gostosa, e vimos um holandês fotografando um bando de urubus no pátio dos cavalos.
“_ Val, olha o gringo fotografando urubu. Que máquina poderosa! Coitado, nesse calor, ele tá todo vermelho.
_ Ai, meu Deus ele sentou no chão?! Vai se encher de carrapatos.
_ Essa não, agora tá deitado de peito no chão!!
_ Seu Gonçalo, ele não vai pegar carrapato não?
_ Que nada, a gente pega, mas eles não. Acho que eles têm sangue ruim.”
Pensei que ver uma onça era a mesma coisa que ver no zoológico. Mas nem de longe é a mesma coisa.
O rádio do Sr. Gonçalo tocou ...
_”Tem uma onça!”
Barco acelera no motor, vento no rosto, mão segurando nas bordas no barco, coração acelerado. Será?!
O primeiro barco a avistar está parado. Silêncio... Olhos fixos na mata. Eu na frente me chego arrastando para a proa do barco. Quero ficar bem na frente. Só pássaros e barulho tímido dos remos na água. Motor desligado. Máquinas fotográficas em alerta. É o prêmio dos prêmios.
Eu, bem na pontinha e o Sr Gonçalo quase encostou a ponta da proa na margem. Um rugido! A onça, olho no olho, eu e a onça! Nada de máquina, nada de foto, um reconhecer e um olhar e ela se virou e entrou na mata. Respiração de volta. Esperamos o retorno. Era um casal de onças, mas só vimos o macho. Espera... Val aproveitou pra fazer as homenagens de flores pelo aniversário de nascimento do pai falecido no fim do ano passado.
O outro barco desistiu da espera e voltou ao seu passeio. Nós ficamos. Senhor Gonçalo disse que ela estava lá, ainda, e seguimos seu andar anunciado pela passarada que em desespero alertava toda a mata, que aí passava a majestade Onça pintada do Pantanal!
Vimos um Martim Pescador que se distraía conosco e quando se deu conta do perigo deu um grito e saiu voando todo desengonçado. Não seu pra controlar, caímos na gargalhada.
Seguimos o andar rebolado da onça por quase 2 quilômetros. Nós olhando ela e ela nos olhando.
Então ela seguiu pra dentro do cerrado e nós pra pousada ... sonhar com onça! Uau!
Em 6 dias, apenas neste, ela foi vista. O pessoal da pousada disputou barco pra vê-la. Gratas somos por estes momentos.
Realmente, no zoológico ela não tem a vontade de onça, o olho de onça, a liberdade de onça, a corte da bicharada gritando quando ela passa, e a gente não tem a sorte.
Vou contar a história do Geoffrey, um alemão que conhecemos:
Menino de 8 anos foi com o pai comprar um livro na Alemanha. Escolheu o livro, ou o livro que o escolheu. As aventuras de Sasha Siemel, o caçador de onças; que caçava onças com uma zagaia. Este foi o herói deste menino, que aprendeu tudo sobre onças e se apaixonou por elas, pelo Pantanal e pelo Brasil. Casou-se com uma brasileira, fala português e estava lá conosco, em busca da maior de todas as sortes – a onça pintada. Coração acelerado de estar onde a onça estava, de ouvir os relatos nossos. Que pena que o Geoffrey não viu!
_”Que pena senhor Jofre , não viu a onça!”
_” Eu estou feliz de saber que a onça está viva aqui e que enquanto eu chegava, ela passou e está repovoando. Isto me deixa muito feliz! - Geoffrey”
Um vídeo premiado sobro o Sasha Siemel:
Geoffrey
Uma sucuri pertinho da pousada, pertinho da gente sem medo, nem de gente nem dela.
E enquanto os bichos dormem com o calor, nós nos refrescamos na piscina e lemos um pouco na rede.
“ Ê vidão bão!”
Aqui estamos nós ouvindo as histórias como a do Senhor Zeca (quem filmou a sucuri tão bem filmada), que saiu de São Paulo com sua esposa pra trabalhar de tudo um pouco e costurar as raízes matogrossenses com amigos em profusão e generosidade do tamanho do Brasil.
Enquanto as crianças fazem o que é melhor: brincar.
Sabe o que é isso? Cocô de capivara.
Vencendo os medos.
Este estava morto na estrada.
Fui tirando as fotos e nem vi o jacaré. Se a Val não me avisa...
Valdo, o motorista curtindo o por do sol com a gente.
Um céu, uma alvorada e um por do sol dourado!
Uma família e uma casinha branca pantaneira estão lá, no coração deste Brasil, onde pulsam os rios, onde a vida é densa de vida.
Agradecemos a Marielma e a seu marido pela acolhida.
Voltar não é só um desejo, é uma necessidade.
Obrigada Deus por marcar nossos olhos com maravilhas!



Uma bela viagem, uma bela foto!
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